02 maio
4:35

Saudações amigos do xadrez! Na coluna deste mês dedicarei uma atenção especial a algo que eu observo e analiso muito na minha prática clínica, o pensamento. Mas e qual seria a relação do pensamento com o xadrez? Pois bem. A teoria da percepção explica que há diversos modos de perceber os diferentes estímulos produzidos pelo homem ou pela natureza. No xadrez acontecem vários tipos d e situações que poderiam ser interpretadas como estímulos nesse contexto.

Um simples mover de peão pode estar querendo dizer muitas coisas, pode estar abrindo linhas para uma torre ou um bispo, expondo o próprio rei, entrando em conflito com a ação de uma das peças do próprio bando e muitas outras coisas. Esses estímulos podem ser percebidos de diversas formas, pois pode haver diferentes focos no pensamento humano. Nesse sentido, há pessoas que tem um perfil de jogo mais agressivo, outras mais calculistas, outras ainda estratégicas, aleatórias e etc.

Mas e como os pensamentos que eu observo na clínica aparecem no xadrez? Agora sim a coisa complicou um pouco mais. Muitos jogadores de xadrez iniciam uma partida contra um determinado adversário considerado superior tecnicamente achando que irão perder por conta deste detalhe e que não importa o que elas jogarem a derrota é certa. Seguindo esta lógica, não tem como não ser, pois somos o que pensamos e esse pensamento específico não nos trouxe nenhuma possibilidade de vitória.

O modo como compreendemos e explicamos as situações que acontecem na nossa vida para nós mesmos é determinante para as soluções que vamos encontrar para elas. Se diante de uma jogada, você se der conta que seu cavalo não tem mais seguras pra se deslocar e está ameaçado a ponto de cair, porque temer? Você já identificou que ele cairá, não deixe os teus fantasmas internos te perturbarem. Se você identificou que o cavalo cairá, o que em tese seria um problema inevitável, porque não escolher a forma como ele irá cair? Este é um momento psicológico dentro do jogo do xadrez, fazendo isso você vai estar dizendo ao seu oponente: não é tão simples assim!

Uma das lições mais interessantes que um esporte como o xadrez nos ensina está relacionada à teoria da percepção. Por várias vezes no jogo você observa uma jogada e tem uma visão inicial da representatividade dela, mas se esperar mais um tempo e se propor a analisar de outras formas você pode encontrar outras jogadas mais eficientes e isso, senhores é uma estratégia que pode ser muito útil em nossas vidas. Quando você tem raiva de alguém numa determinada situação, aguarde um pouco. Talvez em seguida você compreenda porque a pessoa agiu daquele modo contigo e porque isso lhe pareceu inadequado e porque isso lhe trouxe um sentimento de raiva. Pode ter a ver com paciência, mas esse não seria o termo correto. Os leigos apontam para um perfil de pessoas pacientes para os jogadores de xadrez, mas isso não é uma regra. Há jogadores de xadrez temperamentais, malandros, competitivos e toda sorte de perfis possíveis.

Por isso, meus amigos, para fechar esse breve reflexão observemos que quanto mais abrimos nosso leque perceptivo, mais abrangente se torna a nossa percepção e a nossa visão. Seja a visão de jogo no xadrez, seja a visão de mundo na vida.

#pensenisso! #movam seus peões!

Por Alexandre Herzog

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Rogerio Santos

Editor Chefe da Revista Meio Jogo. Arbitro FIDE e jogador de xadrez nas horas vagas, tem contribuído para a divulgação do jogo nos maiores canais de notícias do país.

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