O Xadrez e a Criatividade

01 jun
10:51

Saudações amigos do esporte, na coluna deste mês eu vos trago uma reflexão interessante. Seria o xadrez um instrumento para o desenvolvimento da criatividade? E assim fosse, seria capaz de nos ajudar a resolver nossos problemas? Eu penso que sim, e nestas linhas defenderei que ele pode te ajudar a encontrar soluções no mínimo criativas para resolver as suas questões pessoais.

Talvez para começar possa ser útil buscar uma nova visão sobre os nossos problemas. Se nós nos referimos a eles dessa forma, quem sabe não fomos nós mesmos que os criamos. Se não fôssemos os pais dos nossos problemas, porque veementemente nós nos referiríamos a eles desse modo: “OS NOSSOS PROBLEMAS?”.

Esse quebra de paradigma que eu proponho, não tem a ver com negar a existência de problemas, mas sim aceitar que na sua maior parte as situações adversas que nos encontram ou foram criadas por nós mesmos ou atraídas por nós mesmos. Contudo, assim como nós criamos os nossos problemas, nós também somos capazes de criar as nossas próprias soluções, baseadas nos nossos próprios recursos pessoais e é aí que nós podemos começar a pensar se o xadrez é de fato uma ferramenta útil para nos ajudar a encontrar essa tal criatividade.

Numa partida de xadrez podem existir elementos dinâmicos e elementos estáticos, como sugerem os inúmeros autores da teoria enxadrística. Todavia, o termo “estático” remete a uma ideia de nenhum movimento, ou a um estado permanente de inércia. Talvez eu prefira substituí-lo por um termo menos definitivo, como elemento “dúbio”, por exemplo, que quer dizer uma coisa incerta, que está ali imóvel agora, mas você não sabe se irá se mover em seguida ou se continuará desse jeito.

Geralmente a parte dinâmica fica se associa a peças como o Bispo, a Torre, a Dama e o Cavalo enquanto que a parte estática se remete essencialmente aos peões e de vez em quando ao rei, variando de autor para autor, sendo esse raciocínio baseado na quantidade de casas que essas peças podem andar no tabuleiro quando é a sua vez de jogar.

Numa partida de xadrez podem existir elementos dinâmicos e elementos estáticos, como sugerem os inúmeros autores da teoria enxadrística.

Mas e o que isso poderia ter a ver com a criatividade? Simples! No xadrez, você resolve problemas o tempo todo. Uns maiores e outros menos e para resolvê-los, você utiliza a sua criatividade. Pode parecer elementar demais, mas por vezes a verdade de uma posição aparece da forma mais concreta e por vezes você só enxerga uma parte dela. Numa comparação intrigante seria como o Iceberg, do qual só se vê a menor parte que está sobre a água, enquanto a parte mais densa e extensa está submergida. Por isso, na situação de uma partida pode ser útil sempre esperar um pouco para fazer a sua jogada, pois sua percepção pode captar novos pontos de vista e visualizar jogadas mais eficientes para serem testadas e esse processo ainda, eu lhe sugeri que você buscasse fazer em sua vida, tentando identificar novas faces, razões e motivos para emoções, sentimentos e pensamentos que por vezes se apresentam de uma forma, mas podem ter diversos conteúdos.

A prática do xadrez e a evolução no jogo pode estimular a sua criatividade de maneira tal que você possa atingir e experimentar viver em um nível de consciência mais profundo do que outras pessoas. Entretanto, para se atingir esse ponto talvez seja necessário agregar outros elementos. Para fundamentar isso que eu estou dizendo vejamos o que você entende por criatividade. Não seria uma nova ordenação ou visão de elementos que inicialmente se encontram posicionados numa cena qualquer? Ou pensando especificamente no jogo de xadrez, a reordenação de informações soltas numa posição qualquer para se atingir um determinado objetivo?

A criatividade que resolve os problemas de xadrez envolve a integração de informações importantes acerca dos elementos envolvidos numa posição, como por exemplo: peão dama isolado, cavalo cravado, rei desprotegido, roque pequeno ou bispo ameaçando a casa “f7”, só para citar algumas. Sua mente absorve tudo isso, estabelece relações entre essas informações e te aponta sugestões de lances candidatos que você testa em seus cálculos e em seguida faz a sua escolha e joga.

Essa é a situação criativa mais complexa e a mais simples do xadrez ao mesmo tempo, posto que ele é um jogo de estratégia em que a lógica é muito presente. Mas e na vida? Como encontrar exemplos de criatividade similares a esse? Pessoas que estão conectadas ao universo estão sempre reconhecendo os elementos que podem lhe ajudar a criar redes e conexões. Num dado momento, tantas redes podem ter sido criadas que a solução mais eficaz acaba aparecendo de modo natural e numa ocasião oportuna, porém nem sempre esperada.

O que eu quero dizer com isso é que o “estar em movimento” pode te permitir enxergar os “elementos dinâmicos” ao seu redor, porque eles também estão em movimento, enquanto permanecer inerte te fará apenas enxergar os “elementos estáticos” ou os “elementos dúbios”, como eu preferi chamar. Isso talvez seja uma ideia muito subjetiva, mas se você a observa acontecendo nas suas partidas de xadrez, porque não experimentar tentar observa-la acontecendo na sua vida? Você compreendendo melhor os diferentes elementos das suas situações problema, você poderá reconhecer quais deles são dinâmicos, podendo ser mudados em seguida e quais são dúbios, cuja mudança talvez não seja possível ou mesmo necessária agora. Como eu explanei anteriormente e como se verifica no jogo de xadrez, alguns deles podem ter aparecido ou mesmo causado a situação problema devido a escolhas infelizes suas, mas isso não representa o fim da linha, e tampouco ficar “calculando” muito cada ação sua na vida irá te trazer certeza de sucesso em seus projetos e empreendimentos. Por isso, meus amigos do esporte, minha sugestão para vocês nesse mês é que vocês mantenham-se atentos e movam seus peões! Pois a vida é uma eterna busca pelo equilíbrio, seja entre brancas e pretas, entre a luz e a sombra, o homem e a mulher, o humano e o animal e assim por diante.

#pensenisso!

Por Alexandre Herzog

Psicólogo e Enxadrista

«

Rogerio Santos

Editor Chefe da Revista Meio Jogo. Arbitro FIDE e jogador de xadrez nas horas vagas, tem contribuído para a divulgação do jogo nos maiores canais de notícias do país.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *