15 fev
5:10

O Brasileirão 2016 chegou ao fim e tivemos a merecida vitória de Everaldo Matsuura. Mas aconteceu muita coisa que também deve ser comentada com o fim do torneio, muitas delas levantada pela própria comunidade. Vamos a elas.

Onde estavam os demais GM’s e por que tinha jogador de 2100 de rating jogando?

O ciclo classificatório para a final do nacional é um dos mais justos do mundo. Salvo engano, apenas o campeão tem vaga garantida para o ano seguinte e também se tem vaga para convidar um jogador extra, através do Wild Card. Esse ano o Wild Card foi usado com Alexandr Fier. Os demais GM’s deveriam ter tentado a sorte nas semifinais, como fez o próprio Matsuura e André Diamant, que se classificou e resolveu não jogar a final.

Ainda assim houve algumas distorções e a CBX, organizadora do evento, para garantir que  haveria o número mínimo de GM’s na prova para possibilitar a norma de GM, acabou convidando Felipe El Debs para substituir Evandro Barbosa. Talvez o correto seria chamar o suplente do jogador lá da semifinal, mas as razões da CBX devem ser levadas a diante também.

Atalho para a Final?

Tivemos um classificado vindo do Circuito On Line criado pela CBX. De certa forma essa vaga criou muitas dúvidas a comunidade, vista como um belo atalho a final, e deverá ser mais concorrida esse ano. Pode ser uma boa alternativa para deixar a disputa das vagas mais dinâmica, possibilitando que várias pessoas que ates excluídas possam tentar uma vaguinha mágica. Talvez a fórmula deveria ser um pouco mais elaborada, mais isso é questão para os gabaritados em regulamentos discutirem.

Um polêmico Jogador

Ivan Nogueira foi o vencedor do Circuito On Line e chegou a final sem muitas pretensões. Em sua partida contra Mekhitarian, ele jogo 1. a4 ??!! e abriu o mar vermelho de críticas e elogios. Não conferimos, mas pode ser o primeiro jogador a realizar esse lances em finais de Campeonato Brasileiro, talvez o primeiro a fazê-lo em uma final de Campeonato Nacional a nível mundial. O certo é que ele tinha toda sua estratégia por trás do lance e mesmo assim não teve perdão por parte de Krikor, que venceu a partida em menos de 20 lances.

Noventa e nove porcento de quem acompanhou a final tentou dar sua opinião sobre a inusitada abertura, a grande maioria reprovando a atitude do jogador, mesmo após ele argumentar em um grupo do Facebook que já tinha usado lance semelhante em partidas da classificatória On Line, vencendo inclusive. Aquele 1% do público adorou a novidade e o parabenizou por levar a zoeira a lugares nunca antes visitados.

Ele ainda perdeu sua partida da última rodada por W.0. Motivo? Tinha viagem marcada para para Moscou-RUS, aonde disputará tradicional torneio em terras “karpovianas”.

Combatividade dos participantes e empate dos GM’s

Quem acompanhou a final percebeu que esse ano teve mais partidas com vencedor do que no último ano. De fato isso aconteceu mesmo, inclusive com várias rodadas sem nenhum empate, o que mostra que todo mundo tava atrás de seus objetivos. Infelizmente não tivemos nenhum Grande Mestre derrotando outro Grande Mestre, o que poderia ter interferido diretamente no resultado, mas até nas partidas deles, a luta foi constante e não teve nenhum empate de “salão” como em outras finais. Isso confirma que esta final é uma das melhores dos últimos anos.

Carneiro – 2º Norma de MI

Uma salada de horários

A anos a Fase Final tem um grava problema para se resolver: o horário das rodadas. Por custos, sabemos que fazer um torneio com um dia de descanso é quase inviável hoje, mas pelo menos o horário das rodadas deveria ser algo padronizado pois, primeiro, ajuda no fisiológico dos jogadores, segundo, o público consegue se programar para estar atento as partidas e acompanhar ao vivo, terceiro, mostra que o torneio é melhor organizado.

Algumas vezes em congresso pode ser definido esses horários junto aos jogadores, mas é “maldade” com a maioria dos enxadristas (os que jogam e os estão acompanhando) marcar a última rodada para uma terça feira as 9 da manhã.

Canal Streaming e divulgação

Nos últimos anos a CBX nos brindou com uma excelente cobertura áudio visual do evento, com comentários ao vivo e entrevista com os jogadores após cada rodada, igual acontece em grande eventos. Mas esse ano parece que não deu certo. Nas anteriores, quem comandou tudo foi o GM Darcy Lima, presidente da entidade, e esse ano a CBX resolveu deixar essa importante divulgação de lado.

Por mais trabalhosos que seja, acho que deveriam ter continuado com essa transmissão, não precisava ser um GM pilotando tudo, mas um jogador com nível técnico considerável já seria interessante. Pra não dizer que não teve, eles transmitiram as rodadas com uma live de webcam/celular, mas só o vídeo não ficou lá muito atrativo de se acompanhar.

Salão de Jogos

Novamente a final se realizou no Guanabara Xadrez Clube e, pelo menos dessa vez, tivemos apenas um  torneio lá, e não dois como ano passado. Com isso tivemos mais espaço para os jogadores, mesmo assim pareceu algo um pouco apertado para quem resolveu ir no clube ver as partidas ao vivo.

Por ser a Final do Nacional, creio que devemos começar a nos preocupar com isso e, a CBX, como organizadora, também, procurando um local mais comercial, trabalhando com um responsável em “vender” o torneio para atrair investidores além da própria CBX (nada contra o clube da final). Tá certo, o custo de uma final dessas é bem elevada, mas a meios de melhorar ainda mais o evento e devemos seguir nesse caminho, tornando a final um belo produto que desperte  o interesse de mais pessoas.

Premiação monetária agradou

Esse ano a premiação foi elevada e os participantes receberam o dobro do ano anterior. Palmas pra CBX que resolveu premiar o torneio a cada ano, com objetivo de chegar a $50 mil reais em prêmios em no máximo 4 anos. Isso deixaria a final bem atrativa, e muitos inativos voltariam a jogar torneios em busca de vaga na final com certeza. Talvez com um patrocínio master e mais alguns incentivos essa premiação possa chegar a uns $500 mil reais nos próximos anos. Não custa nada sonhar.

Fotos da premiação –>AQUI

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Rogerio Santos

Editor Chefe da Revista Meio Jogo. Arbitro FIDE e jogador de xadrez nas horas vagas, tem contribuído para a divulgação do jogo nos maiores canais de notícias do país.

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